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O que a acupuntura pode fazer?

6 fevereiro 2013 às 14:28

 

Fonte da imagem: http://www.acupuncture.com

A resposta é simples, mas grandiosa: Muito!

O conhecimento ocidental atual de profissionais da área da saúde ou mesmo de leigos sobre as muitas utilidades da medicina tradicional chinesa está muito maior. Com isso a casuística de atendimentos em outros âmbitos que não apenas o ósteo-muscular vem aumentando a cada dia.

A Flor de Lótus tem recebido cada vez mais pacientes para tratamentos holísticos (sem a denotação mística do termo) que esbarram no limite da medicina ocidental que conhecemos como nossa.

Pacientes cuja medula insiste em não trabalhar corretamente após ter sido muito requerida numa doença corriqueira como a ehrlichiose ou a babesiose (“doenças do carrapato”), chegam aos nossos consultórios procurando ajuda.  Outros cujo próprio sistema imune começa a trabalhar contra o corpo (doenças auto-imunes) também têm encontrado nos profissionais acupunturista aliados.

Tratamentos para endometriose, infertilidade, doença de crohn, alterções psíquicas, síndromes de Parkinson e Alzheimer, alterações oftalmológicas, dores crônicas ou agudas, pós-cirúrgicos, entre outros, estão entre os temas de estudo científico do leque de sucesso da acupuntura.

Por exemplo, pacientes com insuficiência renal crônica e seus donos têm encontrado aqui em nossas instalações um prolongamento das suas vidas com qualidade, e isso para nossa equipe é o mais importante!

Não podemos, no entanto, elevar essa forma de terapia e tratamento ao patamar de milagroso. O que pretendemos é incentivar os demais profissionais, tanto da medicina veterinária, quanto de outras profissões a apresentar aos seus pacientes novas perspectivas, pois invariavelmente as pessoas com acesso aos sites de busca e às ferramentas da internet têm encontrado as respostas por conta própria quando se trata de salvar ou dar qualidade de vida aos seres que tanto amam, sejam eles animais humanos ou não.

O ideal não é que nos apeguemos a apenas uma forma de medicina, mas que consigamos integrar todas as formas possíveis de tratamentos para ajudar o nosso paciente. Por isso somos tão enfáticos no acompanhamento de nossos queridos animais pelos mais variados grupos de especialistas. Agregando e somando!

Caso tenham interesse em saber um pouco mais desse mundo científico seguem alguns trabalhos interessantes em diversas áreas.

 

Um ótima semana a todos!

 

Referências:

  • Acupuncture Enhances the Synaptic Dopamine Availability to Improve Motor Function in a Mouse Model of Parkinson’s Disease.  Seung-Nam Kim et al., Studies of Translational Acupuncture Research, Acupuncture and Meridian Science Research Center, Kyung Hee University, Seoul, Republic of Korea. November 2011, Volume 6, Issue 11, e27566.
  • Eletroanalgesia para o controle da dor pós-operatória em cães. Cassu, R.N. et al., Acta Cirúrgica Brasileira, Vol. 27 (1) 2012.
  • Electroacupuncture alleviates affective pain in an inflammatory pain rat model, Yu Zhanga,b,, Eur J Pain . 2012 February ; 16(2): 170–181.
  • Moxibustion down-regulates colonic epithelial cell apoptosis and repairs tight junctions in rats with Crohn’s disease, Chun-Hui Bao et al., World J Gastroenterol 2011 December 7; 17(45): 4960-4970.
  • The physiological basis of complementary and alternative medicines for polycystic ovary syndrome. Raja – Khan N. et al., Am J Physiol Endocrinol Metab. 2011 Jul;301(1):E1-E10. Epub 2011 Apr 12.
  • Acupuncture stimulation of ST36 (Zusanli) attenuates acute renal but not hepatic injury in lipopolysaccharide-stimulated rats. Huang C.L. et al., Acupuncture and Moxibustion Institute, Nanjing University of Traditional Chinese Medicine, Nanjing, China. Anesth Analg. 2007 Mar;104(3):646-54.

 

 

 

 

 

 

 


A mordida que cura

31 janeiro 2013 às 1:34

Fonte da imagem: http://highpowerrocketry.blogspot.com.br/

Tradução: Carolinne Torres Silva Dias
Texto de  Jennifer S. Holland
Fonte: http://ngm.nationalgeographic.com/2013/02/venom/holland-text

 

Os cientistas estão desvendando o potencial médico do veneno.

Michael decidiu ir para um mergulho. Ele estava de férias com sua família em Guerrero, no México, e foi mais quente do que as chamas. Ao pegar o calção de banho, que tinha deixado para secar sobre uma cadeira, vestiu e saltou para a piscina. Em vez de um alívio refrescante, uma dor ardente rasgou a parte de trás de sua coxa. Arrancando o seu calção, pulou para fora da piscina com a sua perna em chamas.

Atrás dele, uma pequena criatura, feia e amarela estava deslizando na água. Ele capturou-a em um recipiente e o zelador da casa levou-o às pressas para a instalação da Cruz Vermelha local, onde os médicos imediatamente identificaram seu agressor: uma  Centruroides sculpturatus, uma das espécies mais venenosas na América do Norte. A dor feroz de uma picada é geralmente seguido por aquilo que se sente quando choques elétricos percorrem o corpo. Ocasionalmente  as vítimas morrem.

Felizmente para Michael o antídoto estava prontamente disponível. Ele tomou uma injeção e foi liberado poucas horas depois. Em cerca de 30 horas, a dor se foi.

O que aconteceu depois não poderia ser previsto. Por oito anos, Michael tinha sofrido uma doença chamada espondilose anquilosante, uma doença auto imune de caráter crônica do esqueleto, uma espécie de artrite na coluna. No pior dos casos a coluna podem fundir, deixando o paciente sempre curvado e na angústia. “Minhas costas doíam a cada manhã, e durante um tempo era tão horrível que eu não conseguia nem andar”, disse ele.

Mas dias após a picada de cobra, a dor foi embora, e agora, dois anos depois, ele continua livre da dor e sem a maioria de seus medicamentos. Como médico ele mesmo, Michael é cauteloso sobre a exagerar o papel do veneno em sua remissão. Ainda assim, diz ele, “se a minha dor voltasse, eu me deixaria picar de novo.”

O material que escorre dos dentes e ferrões de criaturas como essas é o assassino da natureza mais eficiente. Ele é primorosamente feito para parar um corpo em movimento e consiste em complexos redemoinhos de proteínas tóxicas e peptídeos curtos de aminoácidos. As suas moléculas podem ter objetivos e efeitos diferentes, mas eles trabalham sinergicamente para o mais poderoso golpe. Alguns vão para o sistema nervoso, paralisando por meio do bloqueio de mensagens entre os nervos e os músculos. Alguns atuam fora de modo que as células e os tecidos entrem em colapso. O veneno pode matar por coagulação do sangue e parar o coração, ou impedindo a coagulação e provocando um sangramento maciço.

Dezenas, até centenas, de toxinas podem ser entregues em uma única mordida. Na corrida armamentista evolucionária entre predador e presa, as armas e as defesas são constantemente alteradas.

Ironicamente, as propriedades que fazem do veneno mortal também são o que tornam tão valioso para a medicina. Muitas toxinas do veneno alvejam as mesmas moléculas que têm de ser controladas para o tratamento das doenças. O veneno trabalha rápido e é altamente específico. Seus componentes ativos (aqueles peptídeos e proteínas), funcionando como toxinas de enzimas alvo, moléculas específicas, encaixando-se neles como chaves em fechaduras.

A maioria dos medicamentos funciona da mesma maneira, encaixando-se e controlando fechaduras moleculares para impedir efeitos nocivos. É um desafio encontrar uma toxina que atinja apenas um alvo. Até medicamentos superiores para doenças cardíacas e diabetes foram derivados de veneno e novos tratamentos para doenças auto-imunes, câncer e dor podem estar disponíveis dentro de uma década.

“Nós não estamos falando de apenas alguns poucos novos medicamentos, mas classes inteiras de drogas”, diz Zoltan Takacs, um toxinologista e herpetólogo da National Geographic Society.

Mais de 100.000 animais evoluíram para produzir veneno, junto com as glândulas para abrigá-lo e os aparatos para expulsá-lo: cobras, escorpiões, aranhas, alguns lagartos, abelhas, criaturas do mar, como polvos, inúmeras espécies de peixes e caracóis. O macho ornitorrinco, que carrega veneno dentro esporas do tornozelo, é um dos poucos mamíferos venenosos. O veneno e seus componentes surgiram de forma independente, de novo e de novo, em diferentes grupos de animais. A composição do veneno de uma espécie única serpente varia de lugar para lugar e entre adultos e seus filhotes, e o veneno de uma mesma cobra pode até mudar com a sua dieta.

Não é todo o veneno que mata, por exemplo, as abelhas o têm como uma defesa não-letal, e o ornitorrinco macho usa isso para mostrar machos rivais quem é o chefe durante a temporada de acasalamento. Mas a maioria é para matar, ou pelo menos imobilizar a próxima refeição de um animal. Os seres humanos são, frequentemente, vítimas acidentais. A Organização Mundial de Saúde estima que a cada ano cerca de cinco milhões de picadas matam 100.000 pessoas, embora o número real se presuma ser muito maior. Em áreas rurais de países em desenvolvimento, por exemplo, onde a maioria das picadas ocorrem, as vítimas podem não ser capazes de obter tratamento ou optarem por terapias não tradicionais e por isso não são contados.

As curas baseadas nos venenos não são uma idéia nova. Elas mostram-se, por exemplo, em textos em sânscrito do segundo século dC, e cerca de 67 aC, Mithradates VI, um inimigo de Roma, que se envolveu em toxicologia,  foi supostamente salvo duas vezes no campo de batalha por xamãs que administraram veneno de víbora em seus ferimentos.

O veneno de cobra aplicado há séculos na medicina tradicional chinesa e indiana, foi introduzido no Ocidente na década de 1830 como um remédio homeopático para a dor. O médico John Henry Clarke, publicou uma matéria em 1900, descrevendo que o veneno pode aliviar muitos males, mesmo aqueles causadas por outros venenos. “Devemos sempre procurar usar o mesmo medicamento para curar, como são produzidos os sintomas“, o autor escreveu. As aplicações clínicas do veneno de cobra diluído incluem: angina pectoris, asma, febre do feno, dor de cabeça, problemas cardíacos, estenose de esôfago, cólica espasmódica de ovários, dor de garganta, etc. “Mas cuidado”, observou: A dose curativa é apenas um limite da dose patogênica. ”

O veneno da jararaca brasileira levou ao desenvolvimento na década de 1970 de uma classe de medicamentos chamados inibidores da ECA, hoje amplamente usados contra a hipertensão. Os pesquisadores começaram perguntando por que os trabalhadores brasileiros plantações de bananas, picados por essas cobras, tinham a pressão arterial sempre adequada.

Os pesquisadores, então, confrontaram o componente de redução de pressão presente no veneno. Mas você não pode simplesmente colocar veneno em uma pílula e entregá-lo a pacientes, para o componente útil do veneno fazer efeito esse tem que ser modificado em nível molecular, redimensionado e adequado para reduzir os efeitos agressivos do sistema digestivo humano. Depois de todo esse trabalho, finalmente uma versão sintética feita para testes em humanos, foi aprovada, e em 1975 o primeiro medicamento oral para a hipertensão arterial, o captopril, foi aprovado para uso. E atualmente a classe dos inibidores da ECA, que teve como pioneiro o captopril, agora tratam de dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo, com bilhões de dólares de vendas.

Em todo o mundo a conservação da biodiversidade deve ser feita“, Takacs diz, “para  que seja feita também a conservação da biodiversidade molecular“. Isso colocaria as moléculas mais mortais da natureza no topo da lista quando as decisões de conservação forem tomadas, podendo salvar inúmeras vidas.

Obs.: A Sociedade de Pesquisa Grant Zoltan Takacs de toxinologia foi financiada em parte pelo seus próprios membros.

 

A todos uma ótima semana!

 

 


Células-Tronco: Quais as perspectivas?!

26 novembro 2012 às 19:46

Fonte da Imagem: http://www.lance-ufrj.org/ceacutelulas-tronco.html

O tema células-tronco tem estado presente não só no meio acadêmico, mas também nos meios de comunicação. Além de ser um tema intrigante, ele traz muitas perspectivas para os campos da medicina, medicina veterinária e biologia.

As células-tronco são células indiferenciadas, ou seja, células não especializadas, que podem ser definidas por possuírem duas propriedades: a auto-multiplicação e o potencial de diferenciação. A primeira trata da capacidade que as células-tronco têm de proliferar, gerando células idênticas à original (outras células-tronco). Já a segunda propriedade, o potencial de diferenciação, é a capacidade que as células-tronco têm de, em condições favoráveis, gerar células especializadas e de diferentes tecidos.

Células-tronco são células primitivas, produzidas durante o desenvolvimento do organismo e que dão origem a outros tipos de células. Elas podem ser de tipos diferentes e podem originar outros tipos de células e promover o tratamento ou até mesmo a cura de diversas doenças.

Existem vários tipos de células-tronco, cada qual com uma habilidade específica. Uma das principais aplicações é produzir células e tecidos para terapias medicinais.

Como, infelizmente, o número de pessoas que necessitam de um transplante ou tratamento excede muito o número de órgãos disponíveis, as células pluripotentes podem oferecer a possibilidade de uma fonte de reposição de células e tecidos para tratar uma série de problemas, como:

O câncer, com a reconstrução dos tecidos; doenças do coração – reposição do tecido isquêmico e para o crescimento de novos vasos; osteoporose – por preencher o osso com células novas e fortes; doença de Parkinson – para reposição das células cerebrais produtoras de dopamina; diabetes – para infundir o pâncreas com novas células produtoras de insulina; cegueira – para repor as células da retina; danos na medula espinhal – para reposição das células neurais da medula espinal; doenças renais – para repor as células, tecidos ou mesmo o rim inteiro; doenças hepáticas – para repor as células hepáticas ou o fígado todo; doença de Alzheimer - reposição e cura das células cerebrais; distrofia muscular – para reposição de tecido muscular; osteoartrite – para ajudar o organismo a desenvolver nova cartilagem; doenças autoimunes – para reconstituir as células medulares e doença pulmonar – para o crescimento de um novo tecido pulmonar.

Atualmente os valores cobrados pelas terapias com essas células podem facilmente ultrapassar os 100.000 reais, nos EUA, com a coleta ou a busca por compatibilidade, o processamento e a terapia inclusas.

Num estudo brasileiro, pesquisadores da USP de Ribeirão Preto, observou resultado inédito no mundo. Num grupo de 23 pessoas, portadoras de diabetes tipo 1, houve sinais de recuperação da doença. O pâncreas desses pacientes voltou a funcionar normalmente, e eles deixaram de depender de injeções de insulina, quatro anos após o recebimento do transplante de suas próprias células-tronco. Os pesquisadores disseram que a terapia combate a falha imunológica que leva o sistema de defesa do organismo a atacar o pâncreas.

O Brasil é o primeiro país da América Latina a permitir o uso deste tipo de células, desde maio de 2008, quando o Supremo Tribunal Federal autorizou pesquisas desse tipo.

O Ministério da Saúde mantém a Rede Nacional de Terapia Celular (RNTC), que concedeu 430 mil reais para dois pesquisadores de renome mundial na área. Desde 2003, o ministério investiu R$ 532,75 milhões em 2.694 projetos científicos de universidades e instituições de pesquisa. O País também foi a quinta nação do mundo a produzir células-tronco pluripotentes induzidas (que podem se transformar em qualquer célula sem ser criada a partir de embriões).

Referências:

http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI472268-EI1434,00.html

http://www.brasil.gov.br/sobre/ciencia-e-tecnologia/tecnologia-de-ponta/pesquisas-com-celulas-tronco

http://www.lance-ufrj.org/ceacutelulas-tronco.html

http://genoma.ib.usp.br/

http://www.rntc.org.br/

 

 

 


A importância de um bom clínico atuando junto aos especialistas

21 novembro 2012 às 0:39

Fonte da Imagem: http://stswvets.com/

Atualmente na medicina veterinária muitas são as especializações e áreas da clinica médica e cirúrgica de que nossos pacientes podem se beneficiar. Nos últimos anos, em especial nas últimas duas décadas, o clinico geral viu surgir novas áreas para atuar ou novas ferramentas para utilizar.

Aquela ideia antiga de que o clínico geral tem que saber tudo e virar, como dizia um professor meu da faculdade, o Dr. Praticão, caiu por terra. A possibilidade de tratar os nossos animais com pessoas de profundo conhecimento em determinadas áreas, é uma realidade.

O especialista é, na maioria dos casos, um clínico que iniciou uma ou duas especializações e que ao fim de 2 anos (em média) recebe o titulo de especialista. Cardiologia, endocrinologia, oftalmologia, acupunturista, fisioterapeuta – são algumas das especialidades existentes.

E o que o clinico geral tem haver com isso? TUDO.

O clínico geral tem um papel fundamental no desenrolar de qualquer tratamento realizado em seu paciente, mesmo quando esse é feito por um especialista. Normalmente o especialista recebe o paciente já com um diagnóstico (ou indicação de problema) feito por um clínico, institui o tratamento e observa o resultado dentro de sua área. O especialista tem uma visão partitiva do animal. Acontece que o animal não é apenas “um coração” ou “um olho”. Ele é um conjunto, um organismo, que deve sempre ser observado e avaliado como tal – coisa que muitas vezes não é feita.

É comum atendermos pacientes com múltiplas alterações e estarem passando com 2, 3 ou mais especialistas. Com cada um olhando para o seu umbigo é comum algumas alterações passarem despercebidas, cabe ao clinico geral avaliar sempre o que está acontecendo no todo e tomar as devidas providências. Tem que existir um jogo de cintura do clinico para gerenciar o tratamento do “resto” do animal com o tratamento instituído pelos especialistas.

O que acontece, infelizmente, é que muitos clínicos diagnosticam (ou não) determinada alteração e encaminham para o especialista e simplesmente desaparecem. É responsabilidade do clínico avaliar em conjunto com o especialista se o tratamento está ou não surtido efeito, ou se precisa ser revisado.

O bom clínico não é aquele que serve apenas para uma vez ao ano vacinar o seu animal e que quando aparece o primeiro problema (e eles vão aparecer) aplica corticóide ou encaminha ao especialista tirando depois o corpo fora. O bom clínico é aquele que reconhece os seus limites e não “tenta dar um jeitinho”! Diagnostica e encaminha para um especialista, acompanhando o desenrolar do caso dando suporte caso seja necessário.

Tenham todos uma ótima semana!

 

Dr. Huber A. N da Gama Filho

 


Dicas e manejo: Animais com Problemas de Cervical

30 julho 2012 às 19:08

Fonte da Imagem: worldprints.com

Vamos começar com o diagnóstico.

Primeiramente pode-se perceber em casa algumas mudanças de condutas do próprio animal. O deslizar e/ou o tremor das patas dianteiras (pode ser de apenas uma) quando o animal está parado (sentado ou em pé) é um dos primeiros indícios de fraqueza ou pinçamento dos nervos da coluna cervical (pescoço).

A queda ou abertura dos braços até deitar no chão também pode ser vista, assim como a perda de equilíbrio ao abaixar a cabeça para comer ou beber água.

Outro indício muito citado em nosso consultório é o grito ou ganido do animal logo após ser pego no colo. Principalmente quanto se faz isso pelos braços, segurando-se as axilas.

Normalmente quando o animal está com dor na região do pescoço ele encontra mais dificuldade para descer de objetos, como camas e sofás, e de degraus. Essa observação torna-se mais evidente quando o animal consegue subir, mas fica latindo ou chorando para que alguém o desça.

O problema de coluna cervical pode começar apenas com a “queda” das patas traseiras, ou seja, é importante que o médico veterinário faça uma avaliação clínica antes de se dizer onde está a alteração.

O fechamento do diagnóstico é feito necessariamente por um médico veterinário. Normalmente pode-se optar por pedir exames de imagem (radiografias, tomografias, mielografias, ressonâncias) para a comprovação do problema, sua localização e extensão.

O tratamento aqui na Flor de Lótus Acupuntura Veterinária é feito de forma conservativa, ou seja, sem intervenção cirúrgica. Mas isso não nos impede de recomendar esse tipo de tratamento quando for a melhor opção de cura para o paciente, afinal de contas trabalhamos acima de tudo com a ética e os bons costumes da Medicina Veterinária.

A acupuntura atualmente é um dos procedimentos mais indicados para o tratamento dos problemas cervicais ligados tanto ao quadro ósseo quanto muscular e neurológico.

Durante e após o tratamento é importante que o proprietário do animal se responsabilize por algumas modificações no manejo do dia-a-dia do animal, reduzindo assim as chances de novas crises.

Modificações de Manejo:

Colocar os recipientes de água e comida mais altos, a altura do ombro do animal é um bom parâmetro (maior facilidade de apreensão de alimentos e água, sem causar dor);

Colocar piso antiderrapante nas áreas em que o animal circula (reduzindo, assim, os escorregões e aumentando o atrito das patas com o solo);

Evitar mudanças bruscas de alturas (pulos) e brincadeiras “tipo cabo de guerra” e “buscar a bolinha”;

Evitar subir e descer de escadas, camas e sofás sozinho;

(esses movimentos podem causar traumas irreparáveis na coluna, inclusive podendo fazer o animal ficar paralisado – paraplegia ou tetraplegia)

Realizar exercícios diários com o animal enquanto esse estiver saudável (melhora o alongamento e a força muscular do animal evitando futuras lesões);

Realizar massagens (ver artigo sobre massagens em nosso blog), com ou sem o auxílio de luz infra-vermelha ou bolsa térmica, para reduzir a tensão muscular (isso aplica-se a animais tensos, com dor local e especialmente na época de frio).

Lembrem-se! Os cuidados preventivos são a melhor forma de evitar o problema de saúde futuro! Previne-se não só as lesões, mas também os gastos!

Ainda com dúvidas?! Entre em contato: contato@flordelotusacupuntura.com.br

 

Uma ótima semana!

Referências:

  • A systematic review with procedural assessments and meta-analysis of Low Level Laser therapy in lateral elbow tendinopathy (tennis elbow). Jan M Bjordal*1,2, Rodrigo AB Lopes-Martins3, Jon Joensen1,2, Christian Couppe4, Anne E Ljunggren2, Apostolos Stergioulas5 and Mark I Johnson6 – BMC Musculoskeletal Disorders 2008, 9:75 doi:10.1186/1471-2474-9-75
  • Matéria: Veterinária de ponta – Unespciência. fevereiro de 2011. Pablo Nogueira.
  • Clinical observation on cervical spondylosis of neck type treated with acupuncture at original and terminal points of trapezius [Article in Chinese]. Dong WK, Lin XH. Zhongguo Zhen Jiu. 2012 Mar;32(3):211-4.

 


Técnicas Não Farmacológicas para o Tratamento da Dor

31 outubro 2011 às 22:35

Livro: Profa. Dra. Denise Fantoni

Os médicos veterinários já podem contar com mais um auxílio no tratamento de dor dos animais. O livro da Professora Dra. Denise T. Fantoni, intitulado “TRATAMENTO DA DOR

NA CLÍNICA DE PEQUENOS ANIMAIS” foi lançado no último dia 19 de Outubro de 2011.

O livro conta com uma parte só sobre técnicas não farmacológicas para o tratamento da dor, com diversos capítulos sobre métodos antes vistos como complementares e que agora fazem parte das indicações dos profissionais veterinários por suas reconhecidas ações benéficas.

O capítulo inerente às técnicas de acupuntura veterinária trouxe como uma de suas colaboradoras a Dra. Carolinne Torres, que vos escreve aqui semanalmente. Ele trata do assunto de maneira bastante científica, trazendo a medicina tradicional chinesa (MTC) para as necessidades ocidentais de nosso cotidiano na medicina veterinária. Esclarece aos estudantes e profissionais da área sobre os métodos de funcionamento das técnicas de acupuntura e suas indicações de tratamento.

Hoje em dia faz-se pesquisa na área da MTC por todo o mundo, aliando-se os conhecimentos antigos com os mais recentes meios de pesquisa e diagnóstico. Em meados da década de 1980 os estudos em acupuntura voltaram-se para a analgesia e atualmente esta técnica é considerada efetiva, tendo sido, inclusive, incluída nas listas de tratamentos médicos da Organização Mundial da Saúde (OMC) e reconhecida como especialidade veterinária no Brasil.

A acupuntura é uma terapia reflexa, em que o estímulo de uma região age sobre outras, há a liberação de encefalinas e dinorfinas, que previnem o envio da mensagem de dor ao cérebro, e consequentemente previnem o reconhecimento do estimulo de dor. Há também a liberação de hormônios e alterações nos fluxos sanguíneos regionais, periféricos ou centrais.

Desta forma a Flor de Lótus Acupuntura Veterinária parabeniza a Professora Dra. Denise por sua contribuição a classe veterinária e pela oportunidade de mostrarmos um pouco mais sobre os benefícios desta técnica milenar de uma maneira menos empírica e mais racional.

Um abraço,