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Como saber se o meu amigo peludo está com DOR?!

23 janeiro 2013 às 19:56

Fonte da imagem: http://www.healthypetu.com

Tenho esbarrado com esse questionamento frequentemente na minha profissão e resolvi ajudar aos donos de animais, preocupados em identificar uma possível dor em seu melhor amigo, com essas dicas e recomendações.

A dor nos animais, independente da espécie, varia muito individualmente, pois a tolerância que cada um tem para fatores álgicos depende da própria fisiologia, de questões de adaptação na natureza e de seleção natural ao longo de muitos anos.

Nos seres humanos, por exemplo, há uma diferença entre o limiar de dor nos povos que passaram por períodos grandes de guerras e batalhas e os povos dos “novos continentes”. Os chineses, portanto, apresentam uma maior tolerância à dor que os brasileiros.

No mundo animal não é diferente. Quanto mais adaptado o animal ao meio em que vive ou quanto menos a espécie sofreu alterações externas – como as nossas com cruzamentos e inseminações artificiais – mais resistente será aos estímulos ambientais que causem dor. E isso ocorre por um simples fato: Quanto mais incapacitante for o fator externo para o animal, menores são suas chances de sobrevivência.

Agora vamos transportar essa informação para nossas casas! Como é o seu animal em relação aos estímulos externos? Assustadiço, estressado, rebelde, agitado, medroso ou raivoso?! O tamanho do animal e sua natureza também costumam contar, assim como nossa relação com ele dentro de nosso território (lar).  Devemos levar essas informações em conta para definirmos se nosso animal é “forte” ou “fraco” para dor.

Então vamos começar com os cães…

Normalmente os cães de raças originadas com o propósito de luta, trabalho ou caça possuem tolerâncias maiores à dor. Portanto, caso você tenha um Pit Bull ou um Labrador fique atento, pois vai ser mais difícil detectar quando e como esses animais demonstram dor. (para saber mais sobre a raça do seu animal busque em posts anteriores)

Os gatos também são figuras difíceis de decifrar. Eles são felinos pequenos e, portanto, não estão no topo da cadeia alimentar, mas são caçadores por natureza e a demonstração de fraqueza, seja por dor ou qualquer indisposição, não será tão clara.

Alguns indícios fortes de dor podem vir de mudanças de hábitos. Como, por exemplo, no caso de animais que com a idade deixam de subir em alguns locais antes explorados por eles. Ao contrário do que muitos pensam isso não é “coisa da idade”, isso provavelmente deve-se a alguma limitação de coluna ou artropatia, ou ainda a algum episódio de dor aguda (ao subir ou descer do local em questão) o inibe de buscar novamente esse movimento.

Fonte da imagem: http://www.probioticsmart.com

Outra demonstração muito comum é a interrupção de pelo menos uma das tarefas básicas como alimentação, hidratação, defecação ou micção. Nesses casos deve-se mais do que urgente procurar a ajuda de um profissional veterinário!

A busca por ambientes calmos, com menos ou nenhuma iluminação pode indicar cefaléia (dor de cabeça), dor ocular ou até mesmo um comportamento defensivo por dor ou incômodo orgânico de alguma natureza. Fique atento se o animal que antes buscava estar junto à família agora não está se afastando logo após a festinha de “oi”.

Deixar de comer alimentos ou petiscos mais resistentes ou até mesmo de roer aquele ossinho pode indicar problemas na cavidade oral, e dentre eles pode estar a dor de dente.

A felicidade constante é comum em alguns animais, portanto, não adianta esperar que eles parem de fazer “festa” ou parem de querer brincar com seus brinquedos prediletos. Eles podem se machucar ainda mais se fizerem essas atividades e já forem portadores de alguma alteração fisiológica – Por isso é tão importante aprender a “ler” nosso animal nas suas entrelinhas!

O choro ao se levantar, ao deitar-se, ao subir ou descer de um móvel ou ao ser pego no colo deve sempre ser levado em consideração! Mesmo que o animal seja conhecidamente “dramático”, pois esses movimentos podem desencadear sintomas de dor “escondidos” até então pelo próprio baixinho.

A busca por respostas é sempre a melhor ferramenta! Na dúvida ou na certeza da dor procure um Médico Veterinário, caso ele seja um especialista melhor ainda!

Aqui na Flor de Lótus já ajudamos muitos pequeninos (e grandes) peludos a voltarem aos seus hábitos mais felizes, e esperamos que essas informações ajudem cada vez mais animais a serem diagnosticados e tratados!

Uma ótima semana a todos!

 

Ah, e mais uma coisa! Não existe “não tem mais jeito”, sempre há meios de se obter boa qualidade de vida! Não desista!

 

 

 


Alterações Urinárias em Animais – Parte II

12 novembro 2012 às 19:46

Fonte da Imagem: http://www.gagful.com/1031/dog-urine-place.html

Seguem alguns casos em que os problemas urinários são mais comuns:

Pós-operatórios (agudos ou tardios): Nesses casos a maioria dos problemas ocorre após a manipulação cirúrgica de órgãos ou áreas abdominais ou após cirurgias de castração e tanto podem estar relacionados com alterações anatômicas, hormonais ou inflamações.

Quadros ortopédicos (coluna, coxofemorais e demais articulações): Aqui entram os quadros de dificuldade de movimentação ou de posicionamento, levando os animais a apresentarem a incontinência por uma questão de impedimento físico.

Quadros neurológicos (sistema nervoso): A compressão medular e/ou pinçamento de raízes nervosas, responsáveis pela inervação do trato urinário, podem ocasionar os quadros de incontinência ou retenção urinária. Na maioria das vezes essa alteração neurológica pode ser ocasionada por quadros ortopédicos, como: diminuição de espaço intervertebral, hérnia de disco, discoespondilite, discoespondilose (anquilosante ou não) – o famoso bico de papagaio.

O quadro neurológico central também pode estar relacionado aos problemas urinários, mas na maioria das vezes temos também uma mudança da personalidade do animal envolvida (alteração cognitiva).

Quadros obstrutivos: Esses quadros normalmente têm origem de outras disfunções, mas basicamente se caracterizam pela formação de tampões ou cálculos que obstruem os canais do trato urinário (ureteres e uretra) ou apenas inflamam esses quando passam “arranhando” suas paredes. Nesses casos a urgência da desobstrução é ainda maior! É correr para o hospital veterinário de sua confiança!

Quadros de dor: Nos casos de dor aguda ou crônica os animais podem deixar de “fazer xixi” ou fazerem nas próprias camas para evitarem se levantar e se locomover. Aqui entra a atenção dos proprietários e veterinários, pois com as inúmeras técnicas antálgicas (para evitar a dor) atuais, incluindo a Acupuntura, não há espaço para a permanência do peludo em questão nessa situação!

Quadros de infecção (cistite bacteriana): A infecção na maioria das vezes é oportunista nesses casos, ou seja, as bactérias se aproveitam da facilidade de se instalarem na bexiga e/ou no rim e se proliferam. Os sintomas mais comuns estão na própria urina, e podem ser: o odor, a cor, a quantidade e o aspecto alterados. Ah! A presença de sangue ou coágulos também pode ser indicativa de doença!

Uma ótima semana a todos!

Referências:

  • Zhang D. J Tradit Chin Med. 2008 Jun;28(2):83-5.Thirty-six cases of urinary retention treated by acupuncture.
  • Changfeng Tai et al. Restor Neurol Neurosci. 2006: 24(2): 69-78. Spinal reflex control of micturition after spinal cord injury.
  • Ricardo Miyaoka, Manoj Monga. International Braz J Urol. 2009 Jul: 35(4):396-405. Use of Traditional Chinese Medicine in the Management of Urinary Stone Disease.
  • Sun Y. et al. British Journal of Anaesthesia. 2008: 101(2): 151-160. Acupunture and related techniques for postoperative pain: a systematic review of randomized controlled trials.

 


Alterações Urinárias em Animais

12 novembro 2012 às 19:42

Fonte da Imagem: http://www.imagestainremoval.com/

As alterações urinárias são comumente encontradas nos nossos animais e corriqueiramente diagnosticadas em nosso consultório de Acupuntura Veterinária.

Vamos avaliar caso a caso os principais sintomas encontrados e as causas mais prováveis para cada tipo de alteração. Dessa forma esperamos auxiliar tanto os profissionais veterinários que queiram indicar pacientes quanto os proprietários que notarem alguma alteração no quadro urinário de seu animalzinho de estimação.

Pode haver uma incontinência urinária completa ou parcial, sendo a primeira a perda total do controle da urina, ou seja, o contínuo “vazamento de xixi” ao longo do dia, independente da posição do animal. Já a perda parcial do controle está presente nos quadros em que apenas em determinados momentos (animal deitado por certo período, à noite, ao se levantar, após longo período sem urinar).

Existem também os quadros de retenção urinária e nesse caso a atenção deve ser redobrada! Os animais retêm urina por vários fatores e na maioria das vezes essa retenção é vista como incontinência. – Você deve estar se perguntando: COMO?! – Pois é, a retenção pode persistir até que a bexiga do animal esteja tão repleta que comece a extravasar! Chamamos isso de incontinência paradoxal, e o quadro pode levar a uma lesão neurológica definitiva da bexiga, fazendo com que ela perca a capacidade de contração muscular.

Caso não seja identificada a tempo essa retenção urinária pode causar estragos ainda maiores, como a ruptura da parede da bexiga, com a urina indo parar no abdômen, ou o aumento de pressão nos ureteres e no próprio rim. Nesse caso o aumento da pressão é retrógrado e ao invés de levar à incontinência leva a formação do que chamamos hidroureteres e hidronefrose – quadros graves e emergenciais!

Tanto a incontinência quanto a retenção não incomodam apenas por deixar o animal e o local onde ele vive sempre com odor de urina e molhados, mas também por que aumentam a possibilidade de inflamações, infecções e formações de cálculos. As inflamações e infecções podem se localizar na pele (por meio da constante umidade e alteração do pH local) ou no próprio trato urinário (por contaminação com o meio externo) e a formação de cálculo pode causar uma obstrução propriamente dita, com a necessidade de uma intervenção emergencial.

Ótima semana!

http://www.flordelotusacupuntura.com.br/patologias/urinarios/

Referências:

  • Zhang D. J Tradit Chin Med. 2008 Jun;28(2):83-5.Thirty-six cases of urinary retention treated by acupuncture.
  • Changfeng Tai et al. Restor Neurol Neurosci. 2006: 24(2): 69-78. Spinal reflex control of micturition after spinal cord injury.
  • Ricardo Miyaoka, Manoj Monga. International Braz J Urol. 2009 Jul: 35(4):396-405. Use of Traditional Chinese Medicine in the Management of Urinary Stone Disease.
  • Sun Y. et al. British Journal of Anaesthesia. 2008: 101(2): 151-160. Acupunture and related techniques for postoperative pain: a systematic review of randomized controlled trials.